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| Baile de Máscara (Filme "Maria Antonieta") |
Houve também outras representações teatrais, mais bem sucedidas que a de Perseu, especialmente uma féerie de grande espetáculo, La Tour Enchantée , a Athalie de Racine, interpretada pela ilustre MIle Clairon, e a Semíramis de Voltaire, em que MIle du Mesnil recebeu viva consagração pessoal.
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| Espetáculos de Fogos de Artifício |
Todavia, a série de festas terminou, desgraçadamente, de maneira trágica.
Para o dia 30 de maio, Paris organizara festejos populares em homenagem ao casamento.
A Delfina devia comparecer.
O programa compreendia fogos de artifício, os inevitáveis fogos de artifício que inspiraram a Marchand, advogado doMara is, este estribilho que fez furor:
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| Praça Luís XV, hoje Praça da Concórdia |
A Delfina devia comparecer.
O programa compreendia fogos de artifício, os inevitáveis fogos de artifício que inspiraram a Marchand, advogado do
“Et nons aurons un temps propice
Pour les so, pour les so...
Pour les soleils d'artifice.”
(“E teremos tempo propício para os só... para os só... para os sóis de artifício.”)
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| Rua Royale |
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| Os maus presságios de Himeneu |
Haviam-se formado, com efeito, duas correntes contrárias, uma que levava o povo dos bulevares para ver os fogos de artifício, outra constituída pelas pessoas que, talvez assustadas pelo começo de incêndio, deixavam a Praça Luis XV para ir admirar a iluminação dos bulevares.
Os carros dos bombeiros acabaram de lançar a confusão e o desvario nessa multidão em desordem. Pessoas caídas nos fossos puseram-se a gritar; um pânico irresistível apoderou-se da maré humana completamente encurralada, batida de um lado pela avalancha que vinha da Praça Luís XV e de outro pela que se atirava dos bulevares, flutuando sem encontrar saída.
Várias mulheres desmaiaram e foram esmagadas, outras morreram sufocadas. Muitas pessoas foram atiradas nos fossos e pisoteadas. Cento e trinta e duas vidas pereceram nessa noite trágica, que deveria ser uma noite de alegria e de júbilo popular.
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| O Delfim Luís e Maria Antonieta |
O inquérito oficial sobre as responsabilidades do acidente concluiu – como o leitor, por certo, não se espantará de saber – que era devido à fatalidade e que a ninguém se podia atribuir culpa.
“Tende cuidado, parisienses,
Para não serdes esmagados!
Existe lá justiça em França?
Ai dos que são despedaçados!
Por mais que clamem por vingança
Hão de pagar eles o pato.”
Foi com esse episódio doloroso e cruel que terminaram as festas do casamento da Delfina.
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| Maria Antonieta estava sempre sozinha no seu quarto. |
A quem poderia, na verdade, confiar as suas angústias e pedir afeto e conselhos?
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| José II, Sacro Imperador Romano-Germânico |
– “Tem algumas noções, tem discernimento, mas é uma apatia tanto de corpo como de espírito. Em suma, o fiat lux não veio; a matéria ainda está no caos!”
Na falta do marido, poderia Maria Antonieta abrir-se com o sogro? Mas Luís XV é uma natureza impenetrável e desconcertante. A sua simples presença intimida e desanima os que lhe vão falar. Os próprios filhos não ousam pedir-lhe nada, nem fazer-lhe confidencias.
0 Rei é bom, entretanto, e parece procurar sempre agradar os que o rodeiam. Mas dá a impressão de ser extraordinariamente reservado, cioso da independência de sua vida privada, e sempre em guarda contra quem quer que pretenda ter o mínimo direito de fiscalizar-lhe o procedimento.
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| Madame Campan |
Resta à Delfina a companhia das tias. Mas a única inteligente, agradável e boa, que poderia compreender e amparar a sua sobrinha, Mme Louise, entrara para o convento carmelita de Saint-Denis, um mês antes da chegada de Maria Antonieta. Quanto às três outras, o retrato que delas nos dá Mme Campan nada tem que possa seduzir uma menina de quinze anos.
A mais velha, Mme Adelaide, solteirona passada dos quarenta, desprovida de beleza, é autoritária, arrogante, dominadora, ríspida de caráter como de maneiras. Sua voz é rude e forte, uma voz de comando.
Mme Adelaide possui força de vontade, personalidade firme e até irascível: não lhe falta senão encanto e inteligência! Inimiga de Choiseul, costumava declarar, aliás, que, se a decisão dependesse dela, não se teria mandado buscar uma austríaca. Encantadora atenção para com Maria Antonieta! Enfim, último traço característico: tocava trompa.
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| Mme Adelaide |
A Irmã, Mme Vitória, bela e graciosa fisicamente, não tinha, entretanto, nem inteligência nem força de vontade.
Quanto a última, Mme Sofia, notavelmente feia e sem graça, com olhos inquietos e móveis que olhavam de lado como os das lebres, era, além disso, duma timidez doentia, que a fazia permanecer, às vezes durante semanas, em mutismo absoluto. Não se tornava expansiva senão em caso de tempestade, pois tinha um medo horrível ao trovão e, assim, aproximava-se de quem quer que fosse para não ficar sozinha.
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| Maria Teresa da Áustria |
Não nos deve surpreender que a mãe Maria Teresa continuasse, de longe, a velar pela filha, que ela pressentia sem apoio moral, exposta a todos os perigos. Ela continuava a dar conselhos prudentes e a se preocupar com tudo o que acontecia à filha. Seu embaixador Mercy Argenteau a punha ao corrente de tudo.
A desconcertante atitude do Delfim para com a esposa fora, naturalmente, objeto dum relatório do fiel embaixador.
Com tristeza, Luís XV falara com Mercy a respeito do neto:
O rei inquietava-se antecipadamente de sentir no Delfim uma vontade demasiado fraca, um caráter demasiado inconsistente para um príncipe que, um dia, seria chamado a defender o trono contra o que Luís XV denominava, com desprezo, "a turba republicana".
Quanto a Maria Teresa, o que mais a intranquilizava, em relação ao futuro da filha, era a não consumação do casamento. O fiel Mercy procurava reanimá-la:
– “O Delfim" – escrevia ele em 1770 – prometeu à Delfina que, em Compiègne, viveria com ela em toda a extensão da intimidade que o casamento comportava.”
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| Sainte-Beuve |
Maria Antonieta sofre, no seu amor-próprio e na sua sensibilidade, com os gracejos e sorrisos que provoca a anomalia de que ela é a vitima inocente. E quando recorda os preceitos matrimoniais de sua mãe: “Tudo depende da mulher, que deve ser complacente, doce e amorosa”, não pode deixar de pensar, melancolicamente, que também depende um pouco do marido e que, no que diz respeito a ela, a sua complacência solícita foi muito mal reconhecida.
Como nos havemos de indignar, assim, por ela ter procurado atordoar-se com uma existência frívola e um pouco desregrada, na companhia duma mocidade leviana, mais galante e menos taciturna que seu marido? Pelo menos, nunca teve que se censurar, a não ser com algumas inconsequências, que poderiam deslustrar-lhe a reputação, expondo-a a maledicência, mas que não lhe maculavam a honra.
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| Maria Antoneta fazendo as unhas |
– “Quanto mais extraordinária é a frieza do Delfim, maior necessidade tem minha filha de manter um comportamento ponderado.”
Era o conselho da prudência.
Mas podia-se Iá escutar a voz da prudência na Corte de Luís XV, quando o próprio rei dava o exemplo dos prazeres imoderados?
Por: Henry Robert (04-09-1863 – 12-05-1936). Membro Imortalizado da Academia Francesa, Cadeira 16, em 1923. Ex-Presidente da Ordem dos Advogados da França.
N. do Editor – Esta série de Matérias é resultante de uma adaptação complementada dos esboços de Henry Robert. Que ele queira aceitar nossos Agradecimentos pelo que tomamos emprestado para a realização dessas Matérias Investigativas da História.















