Os preparativos da cerimônia e dos festejos
absorviam a atenção de todos.
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| Castelo de Versalhes, morada dos reis da França. |
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| Arquiteto Ange-Jacques Gabriel |
Terminava-se apressadamente em Versalhes o novo salão de espetáculos, obra do mais importante arquiteto francês de sua época, Ange-Jacques Gabriel (1698-1782), em que se deviam realizar óperas e bailes em homenagem a Delfina.
Discutia-se com ardor se a du Barry iria ou não assistir oficialmente à cerimônia.
Mas, enquanto discutia-se, ela se antecipara e já, em preparação para as festas, mandara fazer roupas suntuosas. Quer dizer que esperava poder usá-las.
Uma mulher bonita fica inconsolável de deixar escapar uma ocasião semelhante, e bastava ver a que ponto o rei parecia enamorado dela para ter a certeza de que não lhe recusaria essa satisfação à sua faceirice.
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| Condessa de Noailles |
A Arquiduquesa Maria Antonieta, que Mme de Noailles, sua dama de honor, tinha sido incumbida de acompanhar, deixara Viena em 21 de abril de 1770.
Sua mãe, quando da separação, lhe prodigalizara lágrimas e bons conselhos. Conselhos austeros de mãe cristã, recomendando observar sempre os deveres de sua religião, fazer exame de consciência todas as noites, desconfiar das companhias perigosas e reservar ao menos dois dias por ano ao retiro, a fim de se preparar para uma boa morte, como se devessem ser os últimos dias de sua vida.
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| Maria Tereza da Áustria com a família, em 1776 |
Maria Teresa acrescentou alguns sábios preceitos matrimoniais que, sem dúvida, muitas pessoas julgariam antiquados:
"A mulher deve ser em tudo submissa ao marido e não deve ter outras ocupações senão agradar-lhe e fazer-lhe as vontades.”
"A verdadeira felicidade, neste mundo, consiste num casamento feliz. Tudo depende de a mulher ser condescendente, meiga e amorosa.”
Maria Antonieta chorou muito ao deixar a mãe, que, conforme pressentia, não tornaria a ver.
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Maria Antonia, futura Maria
Antonieta, aos 13 anos de idade. |
De Viena a Estrasburgo a viagem durou quinze dias, sem incidentes.
Em 7 de maio, a Delfina chegava a Estrasburgo. O casamento estava fixado para 16 de maio, em Versalhes.
Foi em Kehl, numa pequena ilha do Reno, fronteira da França, onde se levantara expressamente um luxuoso pavilhão de madeira, que se realizou o curioso cerimonial da entrega da Arquiduquesa Maria Antonieta aos representantes da Corte da França.
O pavilhão se compunha de duas peças, separadas por um grande salão; uma das peças destinava-se as damas e senhores da Corte de Viena que haviam acompanhado a arquiduquesa até então, a outra ao séquito Francês da Delfina, de que faziam parte a Condessa de Noailles, dama de honor, a Duquesa de Cossé, açafata, o bispo de Chartres, primeiro capelão, o Conde de Saulx, cavaleiro de honra, e oficiais da guarda pessoal.
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| Entrada de Maria Antonieta. |
De acordo com o cerimonial tradicional e simbólico, Maria Antonieta devia mudar de traje e tirar todas as vestes austríacas, inclusive camisa e meias, diz a Sra. Campan, não levando nada para a nova pátria que proviesse duma Corte estrangeira.
Quando ela reapareceu metamorfoseada, estava, declarou a Baronesa de Oberkirch, "mil vezes mais encantadora vestida pela moda francesa".
Num gracioso impulso de comovedora confiança, atirou-se nos braços de Mme de Noailles, pedindo-lhe que, de então em diante, orientasse a sua inexperiência e boa vontade. Mas a sequidão austera de Mme de Noailles, guardiã inflexível da etiqueta, não era feita de molde para corresponder a semelhantes efusões.
Em Estrasburgo, fez-se uma recepção triunfal a Maria Antonieta.
As mais lindas crianças da cidade, vestidas de pastores e pastoras de Lancret, ofereceram-lhe ramalhetes, e vinte e quatro moças das principais famílias de Estrasburgo, trajadas de alsacianas, vinham à frente da carruagem desfolhando rosas.
Houve danças ao ar livre, fontes de vinho para o povo, coros, luminárias, repiques de sinos, salvas de artilharia, festa no palácio episcopal e, como fecho, esplêndidos fogos de artifício sabre a ilha.
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| Catedral de Estrasburgo |
No dia seguinte, Maria Antonieta ouviu missa solene na admirável catedral de Estrasburgo, à porta da qual a esperava para dar-lhe as boas-vindas, o jovem e belo em sua batina roxa, no meio do clero, o coadjutor Luís de Rohan.
– “Sereis entre nós, senhora – disse-Ihe gentilmente –, a imagem viva dessa imperatriz querida, que é, há tanto tempo, a admiração da Europa, como há de sê-lo da posteridade. É a alma de Maria Teresa que vai unir-se à dos Bourbons!”
A pequena Delfina de quinze anos ouvia todas aquelas palavras tão suaves, que, para ela, se misturavam ao perfume do incenso, ao alegre badalar dos sinos, às aclamações, à radiosa luz duma manhã de maio que brincava através dos coruscantes vitrais.
A viagem prosseguiu, como uma apoteose, entre os arcos de triunfo, as grinaldas de flores, os tapetes de rosas e as aclamações do povo entusiasmado.
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| Cidade de Raims, castelo construído na Idade Média. |
Maria Antonieta passou por Nancy, Lunéville, Bar-Ie-Duc. Ao deixar Reims, a cidade das sagrações, conta-se que ela exclamou gentilmente:
– “Esta é a cidade francesa que desejo rever o mais tarde possível.”
Luís XV certamente a beijaria por essa frase deliciosa.
A família real, para ir ao encontro da Delfina, viera passar a noite de 13 de maio em Compiègne.
No dia 14, de manhã, as carruagens reais se dirigiram a uma encruzilhada dessa bela floresta de Compiègne, onde se devia realizar a primeira entrevista.
Choiseul obtivera a grande honra de ir adiante, para ser o primeiro a saudar aquela que personificava o triunfo de sua política.
– “Nunca esquecerei, senhor – disse-lhe ela – que fizestes a minha felicidade.”
– “E a da França” – respondeu galantemente ChoiseuI, orgulhoso de semelhante acolhida.
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| Luís XV |
Luís XV descera da carruagem e esperava Maria Antonieta no meio da clareira, cercado das três filhas e do Delfim. A Delfina, ao avistá-lo, saltou vivamente do carro e foi ajoelhar-se diante dele. 0 rei a ergueu de imediato, beijou-a paternalmente e lhe apresentou o Delfim, que a beijou também, cheio de embaraço... porque, dois dias antes da cerimônia, ela ainda não conhecia o futuro marido. Mas as moças de hoje, que vêem com freqüência os noivos, acaso os conhecerão muito melhor?
Terminadas as apresentações, o rei fez sentar a pequena Delfina a seu lado na carruagem. O Delfim sentou-se diante dela, com Mme de Noailles. E o povo, aglomerado à beira do caminho, aclamava na passagem, o encantador e jovem par de seus futuros soberanos.
Por: Henry Robert (04-09-1863 – 12-05-1936). Membro Imortalizado da Academia Francesa, Cadeira 16, em 1923. Ex-Presidente da Ordem dos Advogados da França.
N. do Editor – Esta série de Matérias é resultante de uma adaptação complementada dos esboços de Henry Robert. Que ele queira aceitar nossos Agradecimentos pelo que tomamos emprestado para a realização dessas Matérias Investigativas da História.