Três séculos... Três revoluções se sucedem numa ordem rigorosamente lógica. A democratização das idéias do século 18 prepara a democratização dos bens no século 19, que anuncia a democratização da informação no século 20.
![]() |
| Luís XVI (1754-1793), rei da França (1774-1791) e depois, rei dos franceses (1791-1792). Filho do Delfim Luís e de Maria Josefa da Saxônia. |
A Idade Contemporânea cobre o período do final do século 18 até a atualidade, tendo iniciado a Revolução Francesa com a convocação dos Estados Gerais e a Queda da Bastilha, e encerrada com o golpe de Estado do 18 de brumário de Napoleão Bonaparte.
![]() |
| Jean-Jacques Rousseau (1712-1778). Escritor e filósofo suíço de língua francesa |
A Revolução Francesa, que provocou conflitos armados com outros países europeus e alcançou enorme repercussão nos países americanos, aboliu e substituiu a monarquia, com uma república democrática radical, pondo em evidência a ascensão burguesa – que viria a impor-se com a Revolução Industrial – e inspirou numerosos outros movimentos de caráter revolucionário, dentre eles a radical mudança social para formulários com base em princípios iluministas de cidadania e de direitos inalienáveis.
Na Idade Contemporânea, destacam-se de início o período napoleônico (1799 a 1815), a restauração monárquica e as Revoluções Liberais, a Revolução Industrial e a expansão do Capitalismo, a disseminação das nacionalidades e das doutrinas sociais.
Façam a guerra se quiserem a paz
![]() |
| Luís XV o Bem Amado (1710-1774), rei da França (1715-1774). Filho do Duque da Borgonha e de Maria Adelaíde de Savóia, e bisneto de Luís XIV. |
A declaração de paz ao mundo e de amor ao próximo é rapidamente transformada em nova ordem conceitual: façam a guerra se quiserem a paz. E não haverá jamais frustração no número de pessoas sacrificadas aos interesses ou paixões alheias, pois é preciso que existam homens conflitantes por detrás das idéias, sejam antigas ou novas, conservadoras ou revolucionárias.
Assim, entre 1789 e 1815, só a França contabiliza a “insignificância” de dois milhões de vítimas, sendo 400 mil antes de 1800, um milhão nas guerras napoleônicas e 600 mil nas guerras intestinas. A idéia de paz alimenta o cadafalso exigentíssimo, e justamente no século que foi chamado das luzes, ressalta o francês Jacques Perruchon de Brochard, Membro Acadêmico Correspondente, Cadeira 31 da ANE, em sua obra “Miragem do Futuro”.
![]() |
| Bastilha |
Os franceses passam da monarquia paternalista ao império policial. A revolução termina com a constatação de um fracasso total: social, cultural, econômico, científico, territorial, religioso.
Para a França , abriu-se em 1789 o longo período de convulsões políticas do século XIX, fazendo-a passar por várias repúblicas, uma ditadura, uma monarquia constitucional e dois impérios.
Querendo impor a felicidade aos homens, os franceses foram incapazes de promovê-la, porque, na realidade, foram os Estados Unidos da América, com nove anos de antecedência, em 1780, que lançaram os fundamentos dos princípios das democracias modernas, tendo por base três poderes independentes, eleitos, e separados, resultantes unicamente da vontade popular.
O Casamento e a Sagração de Luís XVI
![]() |
| Charge das Três Ordens ou Estados. O Terceiro-Estado carregando o Primeiro e o Segundo Estados nas costas. |
A sociedade francesa do século 18 mantinha a divisão em três Ordens ou Estados típica do Antigo Regime – Clero ou Primeiro Estado, Nobreza ou Segundo Estado, e Povo ou Terceiro Estado – cada qual se regendo por leis próprias (privilégios), com um Rei absoluto (ou seja, um Rei que detinha um poder supremo independente) no topo da hierarquia dos Estados.
O Rei fora antes de tudo o obreiro da unidade nacional através do seu poder independente das Ordens, significando que era ele quem tinha a última palavra sobre a justiça, a economia, a diplomacia, a paz e a guerra, e quem se lhe opusesse teria como destino a prisão da Bastilha.
Para compreender com que sentimentos foram acolhidos as bodas e a sagração de Luis XVI, é preciso lançar um rápido olhar retrospectivo à situação do reino e ao estado de espírito do povo, no fim do governo de Luis XV.
A França não tivera, em conjunto, muito com que se ufanar desse longo reinado de meio século. Já ia longe o tempo em que a popularidade do rei fizera atribuir a Luís o cognome de "o Bem-Amado".
![]() |
| Hermann Maurício de Saxe (1696- 1750), Marechal de Saxe. Conde de Saxe e Marechal da França (1746). |
"A verdade é que, quando se perde o domínio dos mares, tarde ou cedo hão de cair as colônias" – observava com melancólico bom-senso o Duque de Croy, em suas Memórias.
Luís XV apoiou a política fiscal de Jean-Baptiste de Machault d’Arnouville (1701-1794), mas entrou em luta aberta contra o Parlamento (questão das cartas de confissão, 1752). A oposição parlamentar, as despesas reais desacreditavam o rei (atentado de Damiens, 1757).
A Guerra dos Sete Anos (1756-1763), empreendida para causar dificuldades à Prússia e à Inglaterra, teve por conseqüência, apesar do Pacto de Família (uma aliança com a Casa Bourbon de Espanha, para tentar recuperar os resultados desastrosos com a aliança da Áustria), assinado por Étienne François (1719-1785), conde de Stainville e duque de Choiseul, a perda das possessões francesas da Índia e do Canadá; a França cedeu também a Lousiana ocidental à Espanha (1762). O Pacto de Família veio muito tarde. Embaixador e depois secretário de Estado de Luís XV (primeiro-ministro de fato), Choiseul reorganizou a França , quando adquiriu pacificamente a Lorena (1766) e a Córsega (1768).
Guerra dos Sete Anos
![]() |
| O conflito das grandes monarquias |
A Guerra dos Sete Anos foram conflitos internacionais que ocorreram entre 1756 e 1763, durante o reinado de Luís XV, entre a França , a Áustria e seus aliados (Saxônia, Rússia, Suécia e Espanha), de um lado, e a Inglaterra, Portugal, a Prússia e Hannover, de outro.
Vários fatores desencadearam a guerra: a preocupação das potências européias com o crescente prestígio e poderio de Frederico II, o Grande, Rei da Prússia; as disputas entre a Áustria e a Prússia pela posse da Silésia, província oriental alemã, que passara ao domínio prussiano em 1742 durante a guerra de sucessão austríaca; e a disputa entre a Grã-Bretanha e a França pelo controle comercial e marítimo das colônias das Índias e da América do Norte.
![]() |
| Guerra Franco-Indígena |
A Guerra dos Sete Anos também foi motivada pela disputa por territórios situados na África, Ásia e América do Norte.
A fase norte-americana foi denominada Guerra Franco-Indígena (ou Guerra Francesa e Indígena), e participaram a Inglaterra e suas colônias norte-americanas contra a França e seus aliados algonquinos.
A fase asiática iniciou o domínio britânico nas Índias.
![]() |
| O Primeiro conflito de caráter mundial |
Foi o primeiro conflito a ter caráter mundial, e o seu resultado é muitas vezes apontado como o ponto fulcral que deu origem à inauguração da era moderna.
A Guerra dos Sete Anos foi precedida por uma reformulação do sistema de alianças entre as principais potências européias, a chamada Revolução Diplomática de 1756, e caracterizou-se pelas sucessivas derrotas francesas na Alemanha (Rossbach), no Canadá (queda de Québec e Montreal) e na Índia.
A guerra deu continuidade a disputas não apaziguadas pelo Tratado de Aix-la-Chapelle (1748) e tinha relação com a rivalidade colonial e econômica anglo-francesa, e com a luta pela supremacia nos Estados Alemães entre a Áustria e a Prússia.
![]() |
| Sem declarar guerra, a Inglaterra capturou 300 navios franceses |
A Guerra prosseguiu na América do Norte, com a expedição de Braddock, que entre 1695 e 1755 comandou as forças britânicas contra os franceses e indígenas.
Cada facção estava insatisfeita com seus antigos aliados.
A Inglaterra tomou a iniciativa quando capturou trezentos navios franceses sem declarar guerra, e de seguida, com o Acordo de Westminster (1756), pelo qual estabelece uma aliança militar com Frederico II da Prússia para defender Hanover de um possível ataque francês.
![]() |
| Maria Teresa da Áustria |
Todos estavam dispostos a um acordo de paz. No cômputo global do conflito, a Inglaterra e a Prússia foram as grandes vitoriosas.
Em 1762, o Tratado de São Petersburgo devolveu a Pomerânia à Prússia. Pelo Tratado de Paris, firmado em 1763, franceses, austríacos e ingleses assinarem a paz. No acordo firmado, os ingleses ganham o Canadá e parte da Louisiana, Flórida (que foi cedida pela Espanha), algumas ilhas das Antilhas (São Vicente, Tobago, Granada e Granadinas), São Luís, e feitorias costeiras do Senegal, na África, além de ter de reconhecer todas as conquistas inglesas nas Índias Ocidentais.
A favor de Espanha, para compensá-la dos prejuízos advindos da guerra, a França cedeu o resto da Louisiana e Nova Orleans. Os franceses perdiam também toda a influência na Índia.
Finalmente, em 15 de fevereiro de 1763, foi firmada a paz definitiva em Hubertusburgo. Pelo Tratado de Hubertsburg, a Áustria renunciou definitivamente à Silésia e a cedeu à Prússia, enquanto a Polônia era dividida pela primeira vez, ocupada pela Prússia, Rússia e Áustria.
![]() |
| Batalha de Colin |
A Prússia se afirma como concorrente da Áustria na liderança dos estados alemães, lançando as bases do futuro Império Alemão. As importantes vitórias inglesas sobre a França , solidificadas no Tratado de Paris, lançam as bases do futuro Império Colonial Britânico.
Assim... Não havia quem não sentisse a mesma penosa impressão do declínio da influência e do poder da França na Europa. Era como se o povo francês, exausto de tanta glória, tivesse deixado distender-se a energia antiga.
![]() |
| Henry Robert |
Por: Henry Robert (04-09-1863 – 12-05-1936). Membro Imortalizado da Academia Francesa, Cadeira 16, em 1923. Ex-Presidente da Ordem dos Advogados da França.
.
Nota do Editor – Esta série de Matérias é resultante de uma adaptação complementada dos esboços de Henry Robert. Que ele queira aceitar nossos Agradecimentos pelo que tomamos emprestado para a realização dessas Matérias Investigativas da História.
.
Nota do Editor – Esta série de Matérias é resultante de uma adaptação complementada dos esboços de Henry Robert. Que ele queira aceitar nossos Agradecimentos pelo que tomamos emprestado para a realização dessas Matérias Investigativas da História.














