1 de jan. de 2013

REVOLUÇÃO FRANCESA: 10/17 // A Assembléia Constituinte


A Assembléia Constituinte

Luís Felipe II de Orléans
     Paralelamente à agitação social, aumenta a agi­tação política. A imprensa, entregue às mãos de al­guns declamadores descarados, alimenta-a sorrateiramente. O dinheiro também. Donde vem ele?
     De Luis Philippe Joseph d' Orléans, também chamado de "Philippe Égalité" e conhecido por Luís Felipe II de Orléans (Duque de Orleães), que se vinga do menosprezo da Cor­te cumulando o povo de liberalidades, que já se julga rei pelo favor popular, e que veremos, em 6 de outu­bro, sorrindo, de sobrecasaca, na Galeria dos Espe­lhos, no momento em que a multidão enfurecida as­sedia os apartamentos da rainha? Duma potencia vi­zinha, irritada por ter visto a França diminuir-lhe o pres­tígio naval e sustentar uma de suas colônias na con­quista da independência?

Palais-Royal
     O Palais-Royal onde o Duque de Orléans tem seus partidários, agita-se todos os dias.

     Uma multidão suspeita de basbaques, curiosos, tribunos, mere­trizes, agentes provocadores, mercadores do vício, ­Iê os jornais e comenta-os.

     Trabalhando silenciosamente, as sociedades se­cretas completam a obra de transformar a opinião pública.


George Jacques Danton
     Os clubes organizam-se. Georges Jacques Danton (1759-1794) se instala nos Cordeliers

     O Dr. Jean Paul Marat (1743-1793) se estabelece nas vizinhanças.

     O pálido e delicado Camille (Camilo) Desmoulins (1760-1794) discursa à multidão.

     As idéias novas, depois de terem dado a volta aos salões e à sociedade burguesa, insinuam-se na classe dos trabalhadores.

A soberania está em vias de
passar do monarca ao povo
     Quer dizer que já se decidiu a mudança de regime?

     A frase de um dos mais ardentes revolucionários: "em 12 de julho de 1789 não éramos dez re­publicanos", parece não ser desmentida nem pelos textos nem pelos acontecimentos. Os próprios parti­dos ainda não sabem exatamente para onde vão. É o desejo e o pressentimento da liberdade que os conduz.

Rainha Maria Antonieta
     A rainha Maria Antonieta não parece medir nem a gravidade, nem a iminência do perigo. Uma espécie de loucura obses­siva se desenvolve perto dela, nessa capital onde se conspira para fazê-la voltar, e seu espírito permane­ce tristemente fixado na morte recente do pequeno delfim. Não vê a onda de impopularidade que aumen­ta e vai rebentar sobre ela.

     Junto do rei Luís XVI, que titubeia, e a quem, no fundo, segundo a expressão arguta de um historiador, "o seu oficio entedia", a rainha assiste ao começo da Revolução com o mesmo olhar desdenhoso com que Ana da Áustria considerara a Fronda.

     Necker” – pensa Maria Antonieta (Necker, de quem a rainha não gosta, e que foi chamado ao poder contra a vontade dela) – “restabelecerá a situação e esses deputa­dos, cuja vizinhança demasiado familiar a irrita, voltando em breve às suas províncias, como sempre acon­teceu.”

     Como a rainha compreendera mal as tendências da Assembléia Nacional, firme e decidida, se não mui­to inteligente, que, por uma ironia cruel, se reunia na sala dos “Menus-Plaisirs du Roi”, que, na organização da família real funcionava como o departamento da “Maison du Roi”, responsável pelos “prazeres menores do Rei”. O que significava, na prática, que era o setor encarregado de todos os preparativos para cerimônias, eventos e festividades, até o último detalhe do design e da ordem.

Bairro Saint-Louis
     Versalhes seguia com grande curiosidade os tra­balhos. Estes punham em oposição dois bairros da ci­dade, como duas frações da Assembléia: o bairro Saint-Louis, elegante, aristocrata, numa palavra, "conservador", e o "bairro dos patriotas", feudo jacobino do comércio, do Mercado, dos Lecointre e dos Loustalot.

     Todos os dias, os curiosos se reuniam em grande número na Rua Saint-Martin para ver, através das grades douradas, os deputados subirem e descerem a grande escada que conduzia ao vestíbulo da sala de sessões, ao passo que, das tribunas, os habitantes do bairro Saint-Louis, sentados à sombra, consideravam com desprezo glacial os representantes da nação.

O falatório dos deputados
     Mil e duzentos homens estão lá, naquela sala on­de, em breve, no decurso duma jornada cujo lugar próprio tratará de bem determinar, veremos en­trar mulheres urrando por pão.

     Mil e duzentos homens que se agitam e falam... muitas vezes para não dizer nada. São deputados... Não vos admireis da desordem em que se agitam esses homens de trajes escuros ou vistosos: eles representam uma assembléia francesa. E se, a propósito de um projeto de imposto sobre o sal, falam todos assim em altas vozes, é que, sem dúvida, desejam exprimir os sentimentos de vin­te e cinco milhões de franceses...

     O Padre Maury senta-se a direita, entre os mais ardentes defensores do regime. É jovial e impassível!

     – “Olha o Padre Maury” – dirão um ano depois, numa viela, três vagabundos que o desejariam enviar às assembléias eternas.

     – “Vamos mandá-lo dizer a missa a todos os diabos!”

     – “Nesse caso, vocês irão ajudar-me: aqui estão as minhas galhetas.”

     E da sotaina saem duas pistolas...

     Seu confrade, o Padre Grégoire, que tem assen­to à esquerda, no meio dos Duport e dos Barnave, é jansenista e revolucionário. Desde o principio, vota­ria pela morte do rei. Sob o terror, em plena fase de execução dos padres, sentar-se-á, com seu solene hábito roxo, na bancada da Montanha. Todo o parti­do que o cerca é chamado "o partido de Orléans". É denominado também, por escárnio, o Palais-Royal.

Robespierre
     Aí poderemos ver, na sombra, o rosto de maçãs sa­lientes e esverdinhadas de Maximilien Robespierre (1758-1794); perto dele, algumas fisionomias atormentadas; e além, na extre­midade duma bancada, com os olhos fixos nos da sua casta que ele renega, o rosto marcado de estigmas, ca­beçudo, maciço, enchendo sozinho esse lado da Assembléia – (que digo?) a Assembléia inteira.

     E conduzindo sob a fronte terrível a Revolução que cresce, um homem que já todos escutam quando se levanta, o grande orador do Terceiro Estado: Honoré Gabriel Riqueti, conde de Mirabeau (1749-1791).

     Em todos aqueles bancos, dentro de todos aqueles corações, que febre não circulou no decurso da famo­sa noite de 4 de agosto, noite que se faz mister recor­dar, porquanto é em parte para consagrar seus resultados que se preparam as jornadas de 5 e 6 de outu­bro...

La Fayette ao retornar dos EUA
     Desde a tomada da Bastilha a Assembléia traba­lhava na Declaração dos Direitos, cujo princípio Marie-Joseph Paul Yves Roch Gilbert du Motier (1757-1834), mais conhecido como Marquês de La Fayette, trouxera de Filadélfia (EUA).

     – “Tremei, porque o povo, depois de ter sido bigor­na, pode tornar-se martelo.”

     Essa frase terrível de François Miron (1560-1609), representante do Terceiro Estado, deputado em 1614 aos últimos Estados Gerais, o murmúrio surdo do povo faminto e descontente recordava-a cada vez mais vivamente a Assembléia.

Veto absoluto

Sessão da noite de 4 para 5 de agosto de 1789
     Então, em seis horas – numa noite de delírio em que a psicologia moderna poderá ver um simples fenômeno de contágio mental, mas que ficará, apesar de tudo, como um magnífico exemplo desse entusiasmo de que são capazes as Assembléias francesas nas horas graves – as três ordens, ainda cheias de mútua desconfiança, mal grado a união conseguida, consagraram por deliberação unânime a supressão de todos os direitos feudais.

     Incomparável ocasião para o rei Luís XVI reconquistar a fidelidade de seu povo, que ele perde, apenas surgi­da, por sua atitude equivocada, por sua inépcia e por uma circunstância infeliz.

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão
     Votada a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que lançava os alicerces duma sociedade nova, subira à discussão em plenário, um projeto de Constituição.

     Quando passaram a deliberar sobre se o rei teria direito de veto aos decretos nacionais e se o veto seria suspensivo ou absoluto, esse artigo divi­diu a Assembléia e acabou super excitando a França.

     A imprensa, o Palais-Royal, os subúrbios, a provín­cia, não conheceram mais que um motivo de preocu­pação: o veto. Os instigadores da rebelião, natural­mente, se aproveitaram disso.

     – “Sabes bem o que é o veto?” – diziam. – “É isto: entras em tua casa; tua mulher te havia prepa­rado o jantar; mas o rei diz: ‘Veto’. Pronto: não comes!”

     Espantosa ingenuidade de um povo levado a to­mar as palavras por realidades, e que lhes empresta um sentido tanto mais preciso quanto menos as com­preende!

Mirabeau
     "Não esquecerei nunca" – diz o contemporâneo Dumont – "que, indo a Paris com Mirabeau, vi muitas pessoas que esperavam sua carruagem... e se lança­vam à sua frente para lhe suplicar, com lágrimas nos olhos, não tolerasse que o rei tivesse o veto absoluto:”

     – “Senhor conde, se o rei tiver o veto, não há mais Assembléia Nacional, tudo está perdido, nós ficamos escravos.”

     Ah! Se esse povo pudesse saber que "de todas as virtudes que dão ascendência a um grande homem sobre seu século", segundo a expressão de Alphonse de Lamarti­ne (1790-1869), não faltava ao tribuno ilustre senão a "honestida­de"; se esse povo conhecesse o lado venal daquela vasta inteligência, que servia ao mesmo tempo à Cor­te e ao Duque de Orléans, a monarquia e à revolução – em vez de lhe dirigir súplicas, tê-lo-ia olhado com desprezo à sua passagem.

     Quando votou o veto suspensivo, que conferia ao rei o poder de não ratificar, durante três legisla­turas, uma lei adotada por ela, a Assembléia tornou­-se violentamente impopular.

     Como a rainha, a quem não chamavam senão “Ma­dame Veto”, ela era suspeita de traição.

Alegoria funerária à Loustalot
     Como!!!

     Tomara-se a Bastilha, suprimiram-se os direitos feudais, votaram-se os Direitos do Homem, e o pão continuava caro, e continuava-se a fazer fila diante das padarias, e Necker pedia a votação duma contribuição extraordinária, sob pretexto de que o Tesouro estava vazio!

     Elisée Loustalot (1761-1790) falava em ir "arran­car os deputados de seus bancos", Marat em dissolver a Assembléia.

     Os clubes e as gazetas insuflavam suas paixões no povo, preparando o motim, atiçando os ódios.

Eis no que deu uma espera
de quase dois meses!

     O rei Luís XVI, que permitiu as piores tolices (a principal foi a de reunir os Estados Gerais, estando a dois passos duma capital pronta a sublevar-se), e que, por úl­tima imprudência, acaba de chamar a Versalhes o Re­gimento de Flandres, conhecido pela fidelidade, tem apenas mais um erro que cometer para precipitar o movimento. E não deixa de cometê-lo.

     As decisões que a Assembléia tomara na noite de 4 de agosto deviam ser ratificadas e promulgadas pelo rei, para que tivessem força legal. Ora, a 18 de setembro, soube-se que ele recusara a sanção. Eis em que dava uma espera de quase dois meses! Nem o rei nem a Assembléia desejavam as reformas. Zombava-­se do povo! Escarnecia-se a nação!

     Os operários falam em marchar para Versalhes. Sobre as calçadas do subúrbio de Saint-Antoine reúnem-se grupos de homens esfarrapados. A guarda ­nacional vacila, o exército está maduro para a defecção.

Luís XVI
     E esse rei imprudente acredita que é hábil contemporizar! Usa de artimanhas...

     Tenta reaver pe­la astúcia o que não pode conservar pela força. Inti­mado pela Assembléia a promulgar os decretos, faz saber ao presidente, em 21 de setembro, que vai or­denar a sua publicação, mas que a promulgação será reservada, "pois esta cabe apenas às leis redigidas e revestidas de todas as formalidades necessárias pa­ra que sejam postas imediatamente em execução".

     Inabilidade demasiado manifesta para não exas­perar a multidão! No jardim e nos cafés do Palais­-Royal há reuniões cada vez mais tumultuosas.

Mounier
     A Assembléia Nacional acaba de eleger, para seu presi­dente, Jean-Joseph Mounier (1758-1806), cuja personalidade é motivo de vi­vas discussões. Os agentes do Duque de Orléans distribuem dinheiro às escondidas.

     La Fayette sente es­capar-lhe a guarda nacional. Aumenta o clamor:

     – “É preciso trazer o rei para Paris, a fim de que sua pes­soa esteja mais segura."

     E, em plena Praça da Grè­ve, um homem exclama que é necessário ir a Versalhes e fazê-lo vir "para o seu Louvre, que não foi feito para os cães".

     A 23 de setembro o clamor redobra: chega o re­gimento de Flandres, precedido de pífanos e timba­les.

Os ventos da re­volta

     É preciso, às vezes, dar relevo a acontecimentos sem ligação aparente, para conseguir expor com im­parcialidade alguns momentos da História.

     A chega­da dos mil e cem homens comandados pelo Marquês de Nusignem, deputado à Assembléia Nacional, é um acontecimento tão importante para a compreensão das jornadas de 5 e 6 de outubro, que a ele está subordina­do tudo o que se segue.

     Muitos deputados, sentindo aproximar-se a re­volta, haviam reclamado a proteção dum novo corpo de tropa. Desde que os guardas franceses tinham de­sertado de seu quartel da Praça de Armas, alistan­do-se nas companhias assalariadas da capital, já não havia em Versalhes – onde, nas esquinas do bairro de Notre-Dame, sopravam também os ventos da re­volta – senão uma guarnição heteróclita: a guarda ­nacional, guardas do Preboste e do palácio do rei, uma companhia de inválidos, dois destacamentos de caçadores dos Três Bispados e caçadores da Lorena.

     Foi o simples temor expressado por alguns de­putados que decidiu Luís XVI a apelar para o regi­mento de Flandres?

     É permitido duvidar, se for con­siderado que, na mesma ocasião, Luís XVI manobrava de maneira desesperada – e inepta – para não promul­gar as resoluções de 4 de agosto. Em todo o caso, a 21 de setembro Mirabeau subia à tribuna para pro­testar contra a chegada daqueles reforços.

Recepção ao Regimento de Flandres

Confraternização
     Após algumas hesitações, viu-se a guarda nacional confraternizar com o Regimento de Flandres: os soldados deambulavam em grupos, parando diante das tendas, das barracas que orlavam as Grandes Ecuries, e, com mais prazer ainda, nas tabernas.

     Passaram-se alguns dias, e os membros da guarda pessoal abriram uma subscrição para oferecer, se­gundo o costume, uma recepção a seus camaradas do regimento de Flandres.

     Os oficiais enviaram convites e obtiveram permissão do rei para dar a festa na sala de espetáculos da Corte (a Ópera do palácio).

A grande festa de recepção
     Na quinta-feira, 1º de outubro, realizou-se a re­cepção. Se as suas conseqüências foram trágicas, ela própria deve ter sido brilhante, de acordo com as memórias do tempo. Era na grande sala da Ópera, de Gabriel, inaugurada em 1770, para o casamento da delfina, e onde Maria Antonieta assistira a seu primei­ro baile.

     A sala estava resplandecente. No palco, ar­rumara-se uma mesa de duzentos talheres, em forma de ferradura. As cornetas da guarda e do regimen­to de Flandres constituíam a orquestra.

     Os convi­vas – oficiais em uniformes com galões e bordados de ouro e prata – tinham sob os olhos o espetáculo magnífico que apresentava a platéia. Guardas do pre­bostado, com seus gibões de alamares dourados e ca­nhões escarlates vizinhavam com os soldados da guarda pessoal, de casacas azuis e calções vermelhos.

     Dragões apertados em casacas verdes com canhões cor de amaranto, faziam ressurgir a moda dos Cem Suíços do século XV: gargantilhas, partazanas e chapéus com penacho.

Luís XVI e a Rainha são saudados
     Ao ser servida a segunda mesa, todo esse bando cintilante subiu para a ferradura e lá, no meio de vi­vas e ovações, enquanto as cornetas tocavam à car­ga, todas aquelas bocas ergueram quatro brindes: ao rei, à rainha, ao delfim, à família real.

     Os espectadores, pouco a pouco, haviam enchido os camarotes do teatro. Conta Mme de Campan, em suas Memórias, que, diante de duas moças gritando “Viva o rei!”, um deputado do Terceiro Estado, que estava num camarote vizinho, interpelou-as e descreveu-lhes o "desprezo que inspiraria semelhante procedimento às bravas americanas, se vissem francesas corrompidas daquela maneira desde tão tenra juventude.”

     Por que razão a rainha, à instância duma dama do palácio, cometeu a imprudência de aparecer num camarote, com o rei e os dois filhos? Formidável ovação acolheu a família real. A orquestra começou a to­car a melodia famosa: “Ó Ricardo! ó meu rei!” que, em tais circunstancias, tinha a aparência dum jura­mento de fidelidade.

     Um oficial solicitou e obteve permissão para colocar o filho do rei sobre a mesa, enquanto ressoavam as cornetas. Todos os assistentes, em pé, renovando as aclamações, beberam mais uma vez à saúde da família real.

     Alguém propusera que se bebesse à saúde da Nação. Teria sido o brinde positivamente rejeitado ou omitido de propósito? É um dos pontos em que os historiadores da Revolução se encontram mais divi­didos.

     O Conde de Estaing, comandante da guarda-­nacional, que assistiu ao banquete, diz formalmente numa carta à rainha, que “o brinde à Nação foi omi­tido de caso pensado”.

Le Courrier de Versailles
     De qualquer forma, não era preciso mais para que os jornais de Paris, orientados pelos cabecilhas revolucionários – Le Courrier de Versailles, La Chronique de Paris – apresentassem à capital uma narração deformada do acontecimento.

     A festa” – diziam eles – “transformou -se em orgia. A cour de Marbre foi teatro de desordens escandalosas. Arvoraram-se laços brancos, laços negros com as cores da rainha, cruzes de Luxemburgo."

As mulheres vingarão o ultraje!

Marcha das mulheres para Versalhes
     As paixões já não conhecem limites. A comuna freme com o ultraje feito à Nação. A guarda nacio­nal une seus protestos aos do povo; Paris, faminta, revolta-se ao saber que em Versalhes se realizam fes­tas que terminam em orgia, enquanto os habitantes dos seus subúrbios morrem de fome. A presença do rei e de sua família, as aprovações que deram àque­les cantos e àqueles brindes parecem verdadeiras provocações. Os homens não ousam agir! As mulheres vingarão o ultraje!

Por: Henry Robert (04-09-1863 – 12-05-1936). Membro Imortalizado da Academia Francesa, Cadeira 16, em 1923. Ex-Presidente da Ordem dos Advogados da França.
N. do Editor – Esta série de Matérias é resultante de uma adaptação complementada dos esboços de Henry Robert. Que ele queira aceitar nossos Agradecimentos pelo que tomamos emprestado para a realização dessas Matérias Investigativas da História.